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A Bíblia na nova ortografia
O impacto da reforma ortográfica nas Escrituras Sagradas
Impacto da reforma ortográfica nas Escrituras é bem pequeno e corresponde a apenas 0,15% de mudança no vocabulário do texto bíblico. Se você ainda não se adaptou não Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, não precisa se desesperar. Embora as mudanças na escrita tenham começado a valer desde 1° de janeiro deste ano, a população terá até o fim de 2012 para se adaptar às novas regras. Além disso, segundo estimativa do ministério da educação, apenas 0,5% do vocabulário brasileiro será alterado. No Brasil, a reforma padroniza o uso do hífen e traz modificações na acentuação. As novidades na grafia também já podem ser notadas na literatura bíblica. Desde junho do ano passado, quando foi assinado o novo acordo ortográfico, a Sociedade Bíblica do Brasil (SBB) iniciou a adaptação dos textos de suas publicações. Lançados em dezembro último, os nove volumas da coleção didática Estudando com a Bíblia foram os primeiros a sair com as novas normas da língua portuguesa. Alguns títulos bíblicos infantis também já passaram por revisão, assim como uma nova edição econômica da Bíblia sagrada na Nova Tradução na Linguagem de Hoje (NTLH). “Inicialmente, priorizamos a revisão de algumas Bíblias, em especial das publicações infantis, que atendem especialmente ao público escolar”, afirma Denis Timm, gerente editorial da SBB. Segundo ele, a atualização de Bíblias com a nova grafia seguirá um cronograma dividido em duas etapas. A primeira envolve todos os lançamentos, atuais e futuros, que serão publicados dentro da reforma. Paralelamente, os projetos editoriais já em circulação serão gradualmente atualizados, à medida que venham a ser impressos. “Como a reforma prevê que as duas grafias continuem válidas até 2012, por algum tempo continuarão a ser impressas Bíblias nas duas grafias, sem qualquer prejuízo para a mensagem bíblica”, enfatiza Timm. Impacto ínfimo Assim como no vocabulário geral da língua, o impacto da reforma ortográfica na Bíblia não é significativo. “Fizemos um levantamento de quantas palavras sofreriam alteração dentro do universo de um texto bíblico e a conclusão é que apenas cerca de 0,15% das palavras sofreriam algum tipo de mudança”, contabilizam o gerente geral. Tecnologia facilita a revisão Todo o processo de revisão das Escrituras tornou-se facilitado graças à formatação eletrônica dos textos bíblicos. O primeiro passo foi compreender as mudanças propostas na reforma. Depois, disso, a equipe de revisores da SBB estabeleceu uma lista com as palavras bíblicas a serem alteradas. A partir daí, cada umas das três traduções da Bíblia foi modificada, criando um novo banco de dados. “Agora, a cada nova publicação, só precisamos efetuar a revisão nos materiais não bíblicos, como notas, comentários, introduções e mapas, entre outros recursos”, informa Timm. Assim, as novas edições da Bíblia já são preparadas utilizando essa base de dados atualizada na nova grafia. Mas nem todo o trabalho transcorreu em águas calmas. No começo da assinatura do acordo ortográfico, muitas dúvidas em relação às novas regras ainda pairavam no ar. Os dicionários com edições relançadas dentro da reforma também apresentavam erros e inconsistências. As mudanças na grafia só foram definidas de vez após a publicação, em março deste ano, do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP). Elaborado pela Academia Brasileira de Letras, o livro de 887 páginas contém 340 mil verbetes. Sua função é registrar a forma oficial de escrever as palavras. “No começo, o mais difícil foi entender as mudanças de regras. Ficou uma nuvem de indecisões até a divulgação do novo VOLP. Depois disso, só fizemos pequenas correções nos textos bíblicos”, relembra o gerente editorial. Comunidades Lusófonas A parceria editorial da SBB junto aos países da comunidade lusófona – Angola e Moçambique, por exemplo, são grandes consumidoras da Bíblia NTLH – também não sofrerá grandes reflexos por causa da padronização ortográfica. Isso porque as diferenças entre o português do Brasil e o de Portugal ainda persistirão. “O acordo pode diminuir algumas barreiras, mas não significa que haverá grandes mudanças. Algumas palavras permanecem com grafias diferentes, ou seja, não haverá uniformidade total da grafia”, analisa Timm. A dupla grafia em algumas palavras e a estrutura da escrita continuarão distintas no Brasil e em Portugal. Enquanto os brasileiros escrevem “bebê”, “Amazônia” e adotam textos com sujeito na terceira pessoa (ele), os portugueses redigem “bebé”, “Amazónia” e usam pronome da segunda pessoa (tu). “Com isso, um texto escrito em Portugal ainda causará estranheza em leitores no Brasil, assim como o português brasileiro ainda será assim identificado pelas pessoas de outros países lusófonos. As mudanças do acordo ortográfico serão maiores para os portugueses. Por isso eles estão mais resistentes e possuem um prazo bem maior de adaptação”, conclui Timm.
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